Recorria à pintura quando queria ver materializado aquilo que à realidade não pertencia mas que na sua imaginação era possível. Mas foi com a Fotografia e a distorção do real, através da máquina, que se tornou a personagem incontestável da Fotografia, do Dadaísmo, e da arte em geral, que hoje temos a sorte de conhecer. Man Ray não foi apenas um fotógrafo, foi quem revolucionou o engenho da Fotografia. Depois de Man Ray, a Fotografia já não é só uma mera imortalização de momentos, depois de Man Ray a Fotografia é Arte.

Os seus primeiros passos na Fotografia foram tímidos. Para Man Ray, a consciência de que a Fotografia podia ser mais o que a simples reprodução dos seus trabalhos em pintura,  nasce quando vislumbra o trabalho de Alfred Stieglitz – fotógrafo americano que defendia a Fotografia como arte, bem como a liberdade como caminho para a criação -, por quem se deixou inspirar imediatamente. Mas Paris teve nele um impacto maior, assim como a sua amizade com Marcel Duchamp. Se em Nova Iorque o seu foco era a pintura – cubista -, em Paris vemos o desabrochar de uma estética fotográfica pelas mãos de Man Ray. No ano de 1921, e já com o título de uma das figuras proeminentes do Dadaísmo nova iorquino, instala-se em Montparnasse, onde tem contacto com as figuras do avant-garde artístico e onde navega, definitivamente, pelos novos ideais da arte.

Em Paris, as obras de Man Ray apropriam-se da liberdade criativa que a arte, nesta época, começava a ganhar. O Surrealismo entra na linguagem produtora das suas criações. Agora o irreal é possível ser construído, não só através da pintura – da qual pensava ser o único medium no qual o irreal era capaz de existir – mas também, através de uma objectiva, recorrendo a novas técnicas.

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Coat-stand, 1920

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Observatory Time: The Lovers, 1936

Com a tal liberdade criativa, tudo era possível. As novas técnicas desenvolvidas por Man Ray acompanham o rasgar dos novos ideais artísticos e oferecem-lhe a possibilidade de uma linguagem imagética infinita, livre- tal como ansiava. Num acto experimental e despreocupado, em 1922, Man Ray rejeita a objectiva e cria apenas com o auxílio de uma película fotográfica exposta à luz directa. Man Ray chamou-lhe rayogramas. O resultado são inúmeras sobras de objectos do quotidiano.

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Untitled, 1922

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Gun with Alphabet Stencils, 1924

Alguns anos mais tarde, no início dos anos 30, Man Ray inventa o que já se tinha descoberto em 1857 – apesar de não ter tido qualquer alcance artístico na altura -, a Solarização. Para produzir esta técnica era necessário expor o filme, por momentos, durante o processo de revelação, dando às imagens uma aura metálica.

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Primat de la matière sur la pensée, 1929

FlaMo

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