Às suas famosas caixas, Donald Judd chamou de “specific objects”, distanciando-os de quaisquer conexões escultórico-pictóricas . São “objetos”, no sentido em que não sofreram qualquer manipulação escultórica, são um produto fabricado pelo artista. E “específicos” uma vez tendo sido cuidadosamente pensados em todos os seus componentes.

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Donald Judd recusa a colocação dos seus specific objects” num movimento ou estilo, ainda assim, historiadores e críticos insistem em colocar as suas obras na gaveta do minimalismo. Judd defende a não inserção destas obras num movimento, argumentando que as similitudes que se poderão encontrar entre as distintas obras-objeto não formam uma lei fundamental ou um base ideológica essencial para este modo de “fazer objetos”, simplesmente tendem nesse sentido. (Quando judd fala em obra-objeto, fala apenas da sua obra ou esta problemática é tangente a outros artistas?) Não é, no entanto, isto que constitui um movimento? Quando apartir de Manet as obras começam a planificar-se, as cores a perderem a sua tradicional modelação, não o faziam por esta se ter tornado a norma de um movimento, fizeram-no porque os seus objetivos enquanto artistas tenderam nesta simplificação da forma, ainda que podendo ter objetivos diferentes, ainda que sendo a planificação diferente, assiste-se a um paradigma a que colocamos na gaveta de moderno. (Ou estará isso também errado?)    Uma considerável parte da motivação para a realização desta “Nova obra” dos anos 60 é a tentativa de ver-se livre dos limites inevitáveis que compõem a pintura ou a escultura. Nos inícios do século XX começam a aceitar-se as condições naturais da pintura, entende-se que as propriedades únicas de cada “área de competência artística” estão intimamente ligadas com as propriedades únicas do seu medium, da sua principal ferramenta de trabalho. No caso da pintura é a sua planificação e a própria forma limitadora do seu suporte, uma forma brutamente encerrada, enclausurada nos seus limites. Sendo a condição de clausura partilhada por uma outra arte, a do teatro (brilhantem93b84cec18c2d253dbe5d150e0feac0cente enfrentada em “Zululuzo”, pela companhia Teatro Praga), a condição da cor, também partilhada com o teatro e a escultura, à pintura resta apenas a planificação, a condição única, a característica não partilhada com nenhuma outra arte, a vitima de exploração artística durante as próximas décadas.

Ora, o Minimalismo, como o Pop e outros movimentos dos anos 60 trabalharam numa direção contrária ao entendimento tradicional da composição artística e fazem-no através de um modo de produção em série, “uma imagem aseguir a outra”, “uma coisa aseguir a outra”. Este ordenamento de objetos em série orienta movimentos como o Minimalismo para conceitos como a comodidade em série observados no mundo quotidiano. Um quotidiano de consumo capitalista. O quotidiano do fetichismo da mercadoria.

AlexandraCFer

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