picasso-demoisellesAs Demoiselles têm sido até hoje intensamente analisadas, talvez tão intensamente quanto nos observam elas a nós, mas a partir de 1972 o ensaio de Leo Steinberg, “The Philosofical Brothel”, veio colocar algumas duvidas em descanso e continua, ainda hoje, a ser uma das principais obras de estudo para esta pintura. O seu maior contributo traduz-se na mudança de questões a fazer a esta pintura, enquanto estas se concentravam, anteriormente, em questões como as suas similitudes com a obra de Cézanne, a incorporação da máscara ibérica e africana ou a transição para o cubismo Steinberg coloca-nos perguntas como:

Seria necessário que as figuras se tratassem de prostitutas? Poderiam os mesmos efeitos semi cubistas serem reproduzidos da mesma forma com um “grupo de jogadores de cartas”? Porque está a cena ainda envolvida em cortinas como se se tratasse de um espetáculo? As máscaras africanas, estão la por estarem em voga neste período e por isto Picasso decide seguir a corrente independentemente da sua irrelevância para o interior de um bordel em Barcelona? A transformação radical na anatomia, é uma questão de mudança de gosto ou tratam-se antes de metáforas para estados da existência humana? Como é que a intensidade do olhar das figuras se relaciona com o propósito abstrato normalmente atribuído a esta pintura? A mudança estilística abrupta que divide o quadro em duas partes, é o resultado da rápida evolução de Picasso ou terá uma outra explicação, mais penetrante? Será possível que esta “primeira pintura verdadeiramente moderna tenha começado com a clássica premissa de que “as consequências do pecado são a morte”? Será verdade que o artista se afastou realmente de qualquer expressão subjetiva despreocupado com qualquer tipo de conteúdo ou temática? A  grande quantidade de desenhos preparatórios revelam algum desenvolvimento inteligível?
Sabemosscreen_shot_2014-11-29_at_92152_am-149f92abae55d689d45 então que a obra foi um longo processo, com muitos esboços preparatórios e que a ideia original detinha-se na presença de 7 personagens: 5 prostitutas nuas que rodeiam um marinheiro vestido olham na direção do intruso à esquerda, um estudante de medicina que transporta nos braços uma caveira, numa evocação simbólica da morte. Durante cerca de 50 anos, a leitura da obra encaminha no sentido de triunfo da forma sobre o conteúdo, como uma abstração. Barr identifica estes primeiros estudos como uma espécie de memento mori, um confronto entre a virtude, representada pelo estudante, e o vicio, representado pelo homem rodeado de mulheres e comida, e esta ideia inicial teria então sido abandonada em favor de uma composição figurativa puramente formal. No entanto, como Steinberg nos faz entender, embora Picasso pudesse encontrar alguma relação entre o sexo e o perigo, ele não o relaciona com o pecado, ou com o vicio. Nem tão pouco faz parte do seu caracter associar uvas, maças e melões a um símbolo de uma indulgência nociva.  Pelo contrário, o que Steinberg propõe é que fosse qual fosse a sua ideia inicial, este nunca a abandonou, simplesmente encontrou uma forma mais imediata de fazer compreender a sua ideia. A obra começa, de facto, como um cenário absolutamente gótico, com as cortinas que anunciam um palco e  um esquema compositivo que se desenvolve de forma clássica (a coordenação entre a ação e a reação/resposta. Ou seja, a entrada de uma figura inesperada, ação, e a a deslocação do olhar das figuras centrais para o intruso que entra em cena, reação/resposta). Este esquema, que faz reconhecer uma força unificadora de um evento está muito presente nas obras anteriores ao modernismo. Picasso, ao eliminar esta força unificadora, transporta-a para nós, os observadores, que devolvemos o olhar às figuras nuas, fazendo de nós o homem de quem elas estavam a espera, a figpicasso-y-el-cubismo-version-espaola-17-728ura que as acompanha neste intimo bordel, a figura que esta suficientemente perto para rapinar uma uva.

Steinberg chama-nos ainda atenção para a forma como a obra se empala a si mesma numa aresta bruta, o canto de uma mesa. Esta mesa não estaria presente nos desenhos iniciais começa como o fragmento que uma curva que vai ganhando forma e verticalidade até chegar à sua forma final, onde é acrescentada uma pontiaguda fatia de melão. A este conjunto de natureza morta Steinberg atribui um caracter sexual.

(TEXTO POR TERMINAR!)

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