Ai WeiWei é um artista embrenhado no cenário político na China desde os finais de 1970. Associa-se ao seu nome a noção de «Artista-Activista», pelo seu incessante contributo artístico visando a intervenção social e politica na China, com conotações universais. Questionando a autoridade cultural e política, atacando até símbolos considerados intocáveis, como no caso da destruição de um vaso da dinastia Han, a «dissecação» de antigas mesas e templos, a imortalização de urina em porcelana.

De apurada consciência humanitária o seu olhar prende-se agora com crise de refugiados que assomam à Europa em busca de segurança fugindo de condições deploráveis e desumanas.

Com a devolução do seu passaporte em julho de 2016, que tinha sido confiscado pelas autoridades Chinesas, o artista muda-se para Berlim, e daí inicia uma série de viagens á ilha Grega, Lesbos, e a diversos campos de refugiados e zonas de partida para a penosa viagem de entrada na europa. Ao mesmo tempo recria a imagem que chocou o mundo, uma pequena criança morta dada á costa, vítima de uma das embarcações de refugiados que não encontrou porto a tempo. Imagem esta, que como toda a crise de refugiados rapidamente se evapora da memória colectiva da sociedade, e é em nome desta memória, e da necessidade de alerta que Ai Weiwei centra a sua produção artística actual.

Em Fevereiro de 2016 Ai Weiwei cobriu as colunas principais da Konzerthaus de Berlim com 14,000 coletes de refugiados recolhidos da ilha de Lesbos, e no meio das colunas colocou ainda um barco de borracha negro com a as palavras «Safe Passage» pintadas. Essa instalação teve lugar ao mesmo tempo que a Cinema for Peace gala na konzerthaus, onde o artista era presidente honorário. Nessa mesma gala Ai Weiwei apresentou as mesmas mantas de emergência fornecidas aos refugiados ao desembarcarem a membros da gala, para que todos tirassem fotografias com as mesmas vestidas, e as partilhassem na internet.

O seu papel desde sempre activo nas redes socias, como forma de disseminação do seu intento activista e da criação de consciência social mantem-se igualmente ferranho nesta questão, sendo que se assumiu a sua posição publicamente e o seu desejo de dar voz aos refugiados. Esta voz que espera espalhar tem estado pulsante em toda a sua produção artística deste ano, com múltiplas instalações onde utiliza os coletes, barcos salva vidas, mantas de emergência, fotografia e pequenos vídeos que reportam as condições atrozes dos campos de refugiados, da viagem de fuga etc.. Planeia ainda um documentário, cuja data de estreia se prevê para 2017, onde reúne documentação em vídeo que recolheu nas suas diversas viagens pelos campos.

C. Nascimento

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